Fatores Masculinos de Infertilidade

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Em cerca de um terço dos casos, há um problema masculino que afeta a fertilidade do casal. O bom funcionamento do sistema reprodutivo masculino depende do funcionamento adequado de áreas do cérebro como o hipotálamo, hipófise, testículos e ductos transportadores dos espermatozoides. A fertilidade masculina é avaliada inicialmente através do espermograma, exame que determina a quantidade e qualidade dos espermatozoides.

Para fecundar um óvulo, o sêmen deve conter uma boa quantidade de espermatozoides com boa motilidade (capacidade de movimentação) e morfologia (formato). Quando há poucos espermatozoides (oligozoospermia), eles não chegam em número suficiente nas trompas para fertilizar o óvulo. Quando a motilidade é baixa (astenozoospermia), os espermatozoides não conseguem se movimentar de forma que permita  encontrar o óvulo. Quanto à morfologia, se o formato não estiver normal, não ocorre fertilização, já que ele deve penetrar uma zona protetora em torno do ovulo, uma camada externa gelatinosa, que serve como uma proteção chamada de zona pelúcida.

Didaticamente podemos dividir a infertilidade masculina em quatro grupos:

  1. Distúrbios do hipotálamo e/ou hipófise: cerca de 1% a 2% dos casos.

Semelhante ao ciclo menstrual da mulher, que envolve uma comunicação adequada entre o sistema nervoso central e os ovários, o hipotálamo (estrutura do sistema nervoso central) secreta o GnRH, hormônio responsável por estimular a glândula hipófise para secretar FSH (hormônio folículo-estimulante) e LH (hormônio luteinizante).

O FSH estimula as células de Sertoli dos testículos a produzirem os espermatozoides, enquanto que o LH estimula as células de Leydig dos testículos a produzirem testosterona. Os testículos, portanto, produzem o hormônio testosterona e os espermatozoides.

Assim, alterações tanto no hipotálamo quanto na hipófise podem causar alterações na produção de espermatozoides devido à estimulação hormonal inadequada. Essa condição é conhecida como hipogonadismo hipogonadotrófico.

Causas de hipogonadismo são:

  • Uso de anabolizantes usados para ganho de musculatura) inibem a secreção hormonal levando a uma diminuição na formação dos espermatozoides,
  • Uso de corticoides e opioides
  • Obesidade masculina,
  • Aumento do hormônio prolactina,
  • Tumores de hipotálamo ou hipófise
  • Síndrome de Kallmann, alteração genética, em que alguns portadores apresentam diminuição ou ausência de olfato,
  • Mutações genéticas raras
  • Medicação quimioterápica (ex: tratamento do câncer de próstata)

Nesses casos, os níveis de FSH, LH e testosterona estão baixos.

  1. Distúrbios testiculares: 30-40%

Ocasionalmente, a causa pode estar nos testículos, devido a uma falência testicular. É a principal causa dos casos de homens com oligozoospermia grave e azoospermia (ausência de espermatozoides), podendo ter origem congênita ou ter sido adquirida ao longo da vida.

Outras causas testiculares:

  • Varicocele: dilatação das veias testiculares, sendo a principal causa de infertilidade masculina, afetando cerca de 30% dos homens inférteis. A varicocele causa alteração no sêmen devido ao aumento da temperatura local e a um aumento testicular de substâncias tóxicas. A varicocele com maior impacto na fertilidade masculina é a classificada como varicocele clínica. A dilatação das veias à nível do saco escrotal são observadas visualmente. A varicocele subclínica, aquela diagnosticada apenas através de exames ultrassonográficos não é fator responsável por possíveis alterações espermáticas que possam levar à infertilidade.
  • Infecções testiculares: por clamídia, gonorreia e caxumba pode causar inflamação nos testículos, lesões importantes.
  • Alterações genéticas como: Síndrome de Klinefelter: o homem tem cariótipo alterado, com um cromossomo X extra (47,XXY), resultando em testículos pequenos com alterações internas. Microdeleção do cromossomo Y: falhas em regiões do braço longo do cromossomo Y, conhecidas como AZFa, AZFb e AZFc, que podem causar alterações graves do sêmen, como azoospermia .

 

  • Criptorquidia: situação em que os testículos não descem para a bolsa testicular durante o desenvolvimento fetal. A temperatura intra-abdominal elevada danifica os testículos e quanto maior o tempo fora da bolsa, maiores serão as alterações .
  • Drogas: maconha e cocaína prejudicam a qualidade seminal.
  • Substâncias tóxicas: solventes e pesticidas.
  • Tabagismo e etilismo: reduzem a qualidade dos espermatozoides e os níveis de testosterona.

 

  1. Alterações no transporte do sêmen: 10-20%

Muitas vezes a produção dos espermatozóides está normal, mas a saída do sêmen pode estar prejudicada devido à obstruções e disfunções nos ductos. Dentre as causas :

  • Ausência congênita bilateral dos ductos deferentes: cerca de 2% dos homens inférteis nascem sem esses ductos, causando azoospermia (ausência de espermatozoides no espermograma). A maioria desses homens é portadora de mutação no gene da fibrose cística.

 

  • Disfunção ejaculatória: principalmente quando decorrente de lesão de medula espinhal por traumas, doenças como diabetes descontrolada.