Útero de Substituição

O útero de substituição é um tratamento utilizado quando a mulher não pode engravidar, seja pelo fato de não ter útero ou pela presença de doenças graves que contraindicam a gravidez, mas tem óvulos capazes de gerar um bebê.

 

Nesta situação, este casal gera o embrião através da fertilização in vitro (FIV) e, este embrião, é transferido para o útero de outra mulher, que “carrega” o bebê por 9 meses e dá à luz. Após o nascimento, o bebê fica com os pais que fizeram a FIV.

 

Agora vamos a uma questão importante: o termo “barriga de aluguel”, apesar de ser muito utilizado, é um termo inadequado, pois implica uma relação comercial que não é permitida em nosso país. No Brasil, denominamos “doação temporária do útero, útero ou gestação de substituição”. Veja como funciona:

 

Quais são as principais indicações?

Ausência de útero: mulheres submetidas à retirada do órgão (histerectomia);

Defeitos congênitos como malformações uterinas ou alterações que impeçam a gravidez, como Síndrome de Rokitansky;

Doenças maternas com alto risco de morte durante a gestação, como doenças cardíacas, pulmonares ou renais graves;

Inúmeras falhas de implantação prévias: quando há transferência de embriões, mas não ocorre gestação.

O que diz a legislação sobre a substituição de útero?

A atual resolução do Conselho Federal de Medicina de 2015 determina que as doadoras temporárias do útero sejam parentes de até quarto grau, ou seja, mãe, filha, irmã, avó, neta, tia e prima da doadora genética (mãe biológica). Os demais casos devem ser autorizados pelo Conselho Regional de Medicina. Como já ressaltado, a doação temporária do útero não deve ter caráter lucrativo ou comercial.

 

É importante ressaltar que a relação entre as pessoas que participam deste tratamento é exatamente oposta ao que temos na doação de óvulos (ovodoação). No tratamento com útero de substituição, as pessoas devem ter um vínculo prévio para se evitar problemas futuros. Já a ovodoação deve ser anônima, pelo mesmo motivo.

 

Quais são os passos do tratamento?

O tratamento é semelhante à FIV tradicional: utilizamos medicações para estimulação dos ovários da mãe, realizamos a captação dos óvulos no momento ideal e a fertilização com espermatozoides do parceiro. No entanto, os embriões formados são transferidos ao útero de substituição (da mulher doadora), que é previamente preparado com hormônios.

 

Vale ressaltar que tanto o casal quanto a mulher que irá doar o útero devem passar por uma consulta especializada, sendo solicitados exames como sorologias e tipagem sanguínea.

 

Por fim, fica a mensagem de um tratamento que necessita de grande generosidade entre as mulheres envolvidas.